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Resposabilidade Social Empresarial e o papel do RI

 
FONTE: Veículo: Gazeta Mercantil - São Paulo - SP Data publicação: 07-07-2006

 

7 de Julho de 2006 - A responsabilidade social é uma tarefa de todos: como indivíduos, famílias, organizações, municipalidades e Estados, somos todos partícipes do processo de crescimento organizado e da evolução do povo do qual fazemos parte. Ultimamente, no entanto, tem recaído sobre as empresas boa parte da cobrança e do ônus da responsabilidade social, neste caso específico, a responsabilidade corporativa, seja no seu 'stricto senso' mais anglo-saxão, seja no seu 'latu senso' mais europeu.

 

A idéia 'stricto senso' de responsabilidade social das empresas requer basicamente agir de forma correta cobrindo as externalidades. Está ligada a ações para geração de valor ao acionista e para sua sobrevivência como organização, gerando crescimento e lucros, mantendo empregos e pagando em dia os impostos.

 

No conceito ampliado, a empresa deve rever a sua visão junto a todos os setores da sociedade com os quais ela se relaciona (os 'stakeholders') e atuar de forma abrangente, a partir: a) do conceito de que recursos naturais estão sendo exauridos e ameaçando as gerações futuras ou que b) enfrentamos desigualdades sociais injustas.O equilíbrio entre atender o acionista e atuar para várias outras audiências estabelece o princípio da sustentabilidade de longo prazo e da competitividade responsável. E obriga a empresa a atuar em rede, com o comprometimento dos fornecedores.

 

No Brasil, o contraponto da responsabilidade social é a ausência da responsabilidade do Estado, apesar de seu tamanho mastodôntico. Um relatório da agência Moody''s mostra que o nível de despesas públicas é bem superior à média dos países de mesmo rating (Peru, Colômbia, Costa Rica, Bulgária, Egito, Romênia e Vietnã). Gastos públicos elevados com perdas na alocação e alta carga tributária estão entre os empecilhos ao crescimento, inibindo a elevação da taxa de investimento para além de 20% do PIB. O Estado também toma recursos no mercado a taxas elevadas, provocando a redução do crédito para o setor privado.

 

A pressão tem aumentado sobre o setor privado: o Global Compact proposto por Kofi Annan, Secretário Geral das Nações Unidas em 1999, já continha obrigações a serem cumpridas pelas empresas quanto a meio ambiente, direitos humanos e condições de trabalho. E os resultados não tardaram a aparecer. Cerca de mil empresas aderiram ao Global Compact.

 

O Business Roundtable dos EUA, que reúne empresas que somam 10 milhões de colaboradores e é liderado pelo presidente da DuPont, lançou o conceito de Iniciativa SEA-Social, Econômica e Ambiental com prioridades voltadas para a conservação da água e o uso mais eficiente da energia.

 

Os avanços são significativos, com a Shell divulgando seus novos ônibus movidos a hidrogênio em Amsterdã, Washington, Tóquio e Luxemburgo; a Waste Management, que já produz 250 MW de energia (suficiente para abastecer 225 mil casas e substituir cerca de 2 milhões de barris de petróleo por ano) a partir dos aterros sanitários onde tem jogado seus resíduos; a Toyota com seus carros híbridos; e a iniciativa da Associação Americana de Papel, cujos membros plantam 1,7 milhão de árvores todos os anos, defendem a compra de madeira apenas de florestas renováveis/sustentáveis e que hoje já tem nível de reciclagem de até 40% dos itens de papel; ou a Alcan, que com seu programa Target reduziu em 2 milhões de toneladas a emissão de CO2.

 

As ações de responsabilidade social e corporativa são, simplificando, de dois tipos:

 

1) De absorção indireta e mais delicada pelas empresas, como: a) segurança alimentar, b) distribuição de renda, c) saúde pública e pandemias, d) escassez e condições de moradia, e) viabilidade de sistema previdenciário, f) povos indígenas, g) tráfico de armas e drogas, h) relações de consumo para a baixa renda;

 

2) De absorção direta e mais fácil: a) motivar colaboradores para reciclar, conservar água e energia, b) conscientizar investidores quanto a aspectos da responsabilidade corporativa, c) comunicar às comunidades princípios de organização e o resultado prático do seu esforço, d) buscar e dividir as melhores práticas, e) envolver toda a sua cadeia de fornecedores no esforço de conservar e prevenir perdas com tempo, esforços, materiais e insumos.

 

O papel do profissional de RI-Relações com Investidores é o de definir onde e porque a organização atua ou apóia esta ou aquela ação. Saber porque sim ou não e moldar a sua comunicação ao mercado com seu conteúdo específico. À medida em que conteúdo e comunicação reflitam estratégias coerentes voltadas para a geração de valor, a empresa terá reconhecido pelo mercado o seu trabalho de responsabilidade social.

 

Cidadania é algo de valor inerente à convivência social e começa pequeno dentro de cada um de nós. Aqui no Brasil vale a pena chegarmos a um novo acordo sobre o que seja uma responsabilidade social competitiva para as empresas. O País tem muito a ganhar.

 

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Silvio Guerra - Membro do Grupo de Intercâmbio Empresarial e diretor do IBRI-Instituto Brasileiro de Relações com Investidores em Minas Gerais.)

 



           
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